Nike divulga resultados do FY25 e mostra força em meio à queda de receita


A Nike divulgou na última semana os resultados do ano fiscal encerrado em maio de 2025 (FY25), com uma queda de 10% na receita, que passou de US$ 51,3 bilhões em FY24 para US$ 46,3 bilhões. Essa retração de US$ 5 bilhões equivale a mais da metade da receita anual da Puma.

Apesar do cenário desafiador, o mercado reagiu com otimismo: as ações da Nike subiram 20% logo após os resultados. O motivo foi a confiança no plano de recuperação liderado por Elliott Hill, que retornou da aposentadoria em 2024 para liderar um “reset” estratégico na companhia.

A Nike continua dominando
Mesmo com a retração, a Nike segue com larga vantagem sobre as concorrentes: Quase o dobro do faturamento da Adidas, que fechou 2024 com US$ 26 bilhões; Cinco vezes o tamanho da Puma, que faturou US$ 9,7 bilhões no mesmo período.
Essa diferença é fruto de uma marca global construída com escala, distribuição e conexão consistente com o consumidor.

O “reset” começa a mostrar resultados
Desde a volta de Hill, a Nike vem implementando mudanças relevantes:

  • Foco em performance: a inovação técnica e o esporte voltaram a ser o centro da estratégia, com o lifestyle em segundo plano.
  • Revisão do DTC-first: a marca desacelerou o digital e reabriu parcerias com grandes varejistas globais, buscando retomar presença no canal wholesale.
  • Renovação da liderança: quase toda a alta gestão foi trocada, indicando uma nova direção interna.
  • Otimização de estoques e canais: com menos excessos e uma malha de distribuição mais eficiente, a Nike foca em operar com mais agilidade.

Lucro e margem seguem fortes
Mesmo com a queda na receita, os números mostram resiliência:

  • Lucro líquido de US$ 3,2 bilhões, quase 4x maior que o da Adidas e 10x maior que o da Puma;
  • Margem líquida acima de 6%, mesmo com ajustes estruturais;

Controle de custos e disciplina financeira garantiram rentabilidade no pior ano das últimas 3 décadas.

Risco no radar: mercado americano e tarifas
Os Estados Unidos representam 43% da receita da Nike. Com a política tarifária do governo Trump, a empresa pode ter um impacto de até US$ 1 bilhão em custos. Para mitigar, a Nike já anunciou ajustes seletivos de preços, diversificação de fornecedores fora da China e revisão logística global.

Mesmo em um ano difícil, a Nike entregou lucro, manteve margens saudáveis e iniciou um reposicionamento estratégico claro.
A Adidas e a Puma seguem crescendo, mas a Nike continua jogando em outro nível e é isso que o mercado reconheceu.

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