Quando falamos de market share na indústria esportiva, os holofotes normalmente recaem sobre marcas globais icônicas, como Nike e Adidas. No Brasil, esse mercado gira em torno de R$ 26 bilhões por ano, com crescimento proporcional à inflação. Empresas como a Segmenta monitoram a evolução desse setor e as preferências do consumidor, cobrindo cerca de 55% do mercado — principalmente via canais monomarca (e-commerce, lojas próprias, franquias) e multimarcas (principais 20 redes de distribuição).
Nos dados analisados, a Nike ainda lidera, mas não com a mesma folga de anos anteriores. A Adidas tem conquistado terreno rapidamente, já liderando algumas categorias. Logo atrás aparecem Asics, Puma, Mizuno, New Balance e outras marcas mais nichadas.
Nesse cenário competitivo, chama atenção um player nacional de grande relevância: a Olympikus. Marca principal do grupo Vulcabras que fabrica cerca de 22 milhões de pares de calçados esportivos por ano.
Embora apareça entre 6º e 7º lugar nas categorias mais relevantes (corrida e casual) no mercado monitorado, a Olympikus se destaca por um dado decisivo: já lidera em volume de pares vendidos. Seu número anual é cerca de duas vezes maior do que o dos líderes de market share — o que mostra uma dominância em escala. Mas ainda faltam dois fatores para cravar sua liderança total: preço médio e participação direta em canais próprios (DTC).
A marca domina o varejo multimarca de pequeno porte, com distribuição capilar e democrática, onde grandes marcas têm presença limitada. Essa penetração em lojas independentes permite à Olympikus alcançar um público mais amplo, mas com menor controle de marca e margens reduzidas.
Nos últimos anos, a Olympikus vem ampliando sua atuação para além do segmento de entrada. Um exemplo claro é a linha “CORRE”, que hoje é reconhecida como o melhor custo-benefício do mercado brasileiro de performance. Com modelos entre R$ 499 e R$ 899, incluindo tênis com placa, a Olympikus oferece produtos comparáveis às grandes marcas globais por quase metade do preço.
Essa competitividade é viabilizada por sua operação verticalizada e nacionalizada, o que reduz custos e aumenta a agilidade de resposta ao mercado. A produção local garante controle de qualidade e rapidez na reposição, o que foi essencial em 2025 para lidar com a escassez pontual de produtos.
Além disso, a marca está investindo em branding e conexão com o consumidor. A linha CORRE foi eleita por dois anos consecutivos como a preferida dos corredores brasileiros, e a presença da marca nas principais provas de rua e parques urbanos das capitais reforça essa proximidade.
O reconhecimento da Olympikus também vem dos canais especializados em corrida, que frequentemente a listam entre as melhores opções para iniciantes, intermediários e profissionais.
Outro destaque é o canal de e-commerce próprio da controladora, que deve faturar mais de R$ 500 milhões em 2025, representando 15% da distribuição. No entanto, diferentemente de Nike (com 65% do faturamento vindo de canais diretos) e Adidas (com cerca de 50%), a Olympikus ainda tem participação mínima em canais DTC, o que limita seu preço médio e sua construção de marca direta com o consumidor.
A Olympikus é, indiscutivelmente, a líder em volume de tênis esportivos no Brasil, principalmente em corrida. Mas para ser reconhecida como a verdadeira líder do mercado nacional, falta consolidar um ecossistema robusto de DTC — que não apenas eleve seu preço médio, mas fortaleça o relacionamento com o consumidor de forma consistente, emocional e duradoura.